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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Fraternidade Divertida

Oscar merecido para Dustin Hoffman e um Tom Cruise recém lançado para a fama.

RAIN MAN
(EUA, 1987)
Dir.: Barry Levinson
Com Dustin Hoffman, Tom Cruise, Valeria Golino, Bonnie Hunt
2h13 min - Drama


Eu não me lembro de 1987. Era muito pequeno. Essa paixão por cinema ainda não havia sido desenvolvida a ponto de assistir nada que não fosse Indiana Jones, sessões da tarde ou desenhos animados. Mas em 1987, dois nomes grandes do cinema atual se juntaram para fazer um filme vencedor de Oscars, com interpretações magníficas em uma história simples sobre fraternidade. 

Charlie Babbett (Cruise) é um jovem em ascenção. Tem uma importadora de carros, uma mulher maravilhosa, mas no momento, vive alguns problemas financeiros que não está disposto a anunciar ao mundo. E no meio do turbilhão em seu cosmos, o falecimento de seu pai, pessoa com quem Charlie não se deu muito bem. E a fortuna acaba indo para seu irmão Raymond (Hoffman), um autista sábio internado em um hospitál psiquiátrico. Charlie resolve raptar seu irmão para provar que saberá lidar melhor com o dinheiro, mas durante uma longa e inusitada viagem de carro, os dois irmãos irão se aproximar e descobrir muito sobre o outro e sobre si mesmos.

"Charlie? Tem gente nos olhando..."

"Rain Man" surpreende em todos os sentidos. Se escrito nos dias de hoje, poderia apelar para o sentimentalismo, traumas pós-guerra, doenças e outras vertentes que o cinema atual abusa vez e outra. E talvez não contasse com Tom Cruise (na época, recém-saído de Top Gun - Ases Indomáveis). Mas o que quero dizer aqui, é que toda a leveza do filme poderia cair por terra e ser bem mais frio e sério (ou piegas) do que o filme realmente é. Hoffman domina todo o tempo de projeção com o melhor personagem de sua carreira. Raymond e sua rotina é um imã para os demais personagens e seu carisma conquista a todos. Sua genialidade alternada com seus momentos de medo por ter se se submeter aos caprichos de um irmão temperamental e o contraste que isso gera entre os dois personagens se torna a grande força do espetáculo. Vencedor de 4 Oscars (Filme, Diretor, Ator para Dustin Hoffman e Roteiro Original), "Rain Man" nos faz lembrar porque o cinema pode ser uma experiência tão agradável e tratar de temas básicos com uma simplicidade cativante e com uma honestidade incomum. Não é um clássico a toa. Depois desta, viaje de Qantas e escute 97X (bam!) - O Futuro do Rock & Roll.

Nota 9,5

Trailer (Sem legendas):

domingo, 4 de janeiro de 2009

Mosaico Humano

Um dia na busca por um sentido na vida.

MAGNÓLIA
(EUA, 1999)
Dir.: Paul Thomas Anderson
Com Julianne Moore, Jason Robards, Phillip Seymour Hoffman, Tom Cruise
3h 08 min - Drama


Esta seção do cinematico foi criada para filmes que foram lançados há um certo tempo e que não estão mais em verve como no passado. E para filmes que de alguma forma não tiveram tanta repercussão aqui no Brasil. Em 2000, uma magnifica e densa história, com três horas de duração chegou aos cinemas nacionais trazendo astros de peso, como Tom Cruise, Julianne Moore, Phillip Seymour Hoffman e muitos outros. Indicada a 3 Oscars. Não é o típico filme que vira sucesso de bilheteria. Não é o típico filme que as pessoas assistem repetidamente. Porque "Magnólia"não é um filme comum.

O filme relata um mosaico de histórias que se sucedem em um dia no vale de São Fernando, mais precisamente na Av. Magnolia. Personagens em busca de redenção, felicidade e de paz interior: O Executivo que está morrendo, a dependência química de sua "esposa-troféu" e a busca pelo filho perdido, auxiliado pelo enfermeiro que se sente impotente em meio a tanta tristeza. A filha do apresentador de um programa de TV, que tem problemas com o pai e encontra conforto nos braços de policial que se sente inseguro. E os participantes deste programa de perguntas e respostas que inclui um novo gênio-mirim que está sobre grande pressão, e a história do gênio-mirim de outrora, esquecido, que busca um novo romance, mas que para isso, precisa de dinheiro para comprar um aparelho novo.

"Fala mais alto e devagar pra eu te ouvir direito..."

É um épico contemporâneo. Pesado à sua maneira, mas minucioso e preocupado em deixar o espetador a par de cada passo catastrófico e de cada decisão difícil que seus personagens precisam tomar. O diretor Paul Thomas Anderson (um dos grandes achados de Hollywood) tem total controle sobre sua história de coincidências, buscando mostrar como um mundo que nos parece tão problemático e que pode parecer tão pequeno. As pessoas que complicam uma vida que poderia ser tão mais simples. Tudo conduzindo a um clímax que, de tão incomum se torna original. Mas é preciso ter muita paciência. É um filme que requer atenção e compreensão. Ou você nunca sentiu tristeza na vida?

Nota 9,5

Trailer (sem legendas):

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O Fim da Sociedade

Grande Elenco. Grande História. Grande Direção. Grande Filme.
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FILHOS DA ESPERANÇA
(Children of Men; EUA, 2006)
Dir.:Alfonso Cuarón
Com Clive Owen, Julianne Moore, Chiwetel Ejiofor, Michael Caine
1h42 min - Drama
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É engraçado analisar algumas das diferentes versões de um futuro pessimista que o cinema já apresentou. Desde os filmes de ficção científica dos anos 60/70 (incluindo Planeta dos Macacos, Fuga do Século 23, O Dia em Que a Terra Parou...) os filmes que se passam há alguns anos na nossa frente costumam a mostrar um planeta descuidado, ou uma população enlouquecida. Geralmente rendem filmes na média das expectativas, porém, poucos deles se tornam memoráveis. É preciso um roteiro enxuto apoiado em uma causa nobre (geralmente ligado a algum tom político). Em 2006, quase nos acréscimos, um cineasta mexicano, uma história poderosa e alguns astros do primeiro escalão americano deram o exemplo de um bom filme futurista.
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E se daqui há 12 anos (2020, no filme), as mulheres do planeta não conseguissem mais engravidar? Como que a população aceitaria o fato de estarem enfrentando a extinção. A cidade é Londres. O último humano a nascer se torna uma celebridade e choca a população quando é assassinado. O governo local estabelece uma política contra imigrantes, devido ao grande número de nações menores que entraram em colapso e tiveram seus cidadãos se mudando para nações com melhor condições de vida. A população entra em choque e um forte sentimento nacionalista toma conta dos ingleses os dividindo entre pro e contra imigração. A capital inglesa sofre com atentados e muita violência. Mas eis que um grupo de pró-imigrantes, descobre que uma mulher está grávida. A líder Julian (Julianne Moore) aciona seu ex-marido Theo Faron (Clive Owen em uma de suas melhores performances), que não tem qualquer tipo de ligação com grupos extremistas, para que possa leva-la para fora da tumultuada cidade e para que assim, a criança possa crescer protegida.
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"Para de atirar, que o bebê tá dormindo..."

Um filme tenso até o último fio de cabelo, cortesia de uma direção perfeita e atuações brilhantes. A história coesa dá base para um dos filmes mais surpreendentes e chocantes dos últimos anos. O clima apocalíptico, os cenários destruídos e toda a direção de arte do filme auxiliam o espectador a mergulhar no pânico de seus personagens. O diretor Alfonso Cuarón (do filme "E sua mãe também") utiliza-se de uma câmera quase documental para aumentar a tensão e colocar o público junto ao grupo fugitivo. É impossível não prender a atenção e passar por aquele clima pessimista. Não buscamos respostas, apenas a salvação. Uma experiência muito forte (como há muito não víamos no cinema), não pela quantidade de violência (em doses consideráveis aqui), ou pelo grafismo que muitos filmes apelam. Forte no sentido psicológico de ver uma sociedade em colapso e demonstrada de forma visceral. Um verdadeiro soco no estômago. Mas a gratificante sensação de experienciar cinema puro.
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(Nota 9,5)
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Trailer:

terça-feira, 24 de junho de 2008

Personagem X História

Sem muito alarde, o comediante Will Ferrell entrega uma atuação surpreendente em um filme que passou despercebido pelos cinemas brasileiros.
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MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO
(Stranger Than Fiction; EUA, 2006)
Dir.: Marc Forster
Com Will Ferrell, Maggie Gyllenhall, Dustin Hoffman, Emma Thompson.
1h53 Min - Drama/Comédia
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Will Ferrell, para quem não conhece (e se for o caso, comece pelo filme desta resenha), é um ator que não é tão reconhecido no Brasil, mas é ídolo nos EUA. Mas você já viu ele em um filme. Fez pequenas pontas em filmes como "Penetras - Bons de Bico" (o cara que "pegava" mulheres nos enterros) e o bandido bissexual de "Starsky & Hutch". Apesar da excentricidade dos papéis, Ferrell sempre marcou o filme com gags hilariantes. Protagonizou outros como "O Âncora", e "Ricky Bobby" e comandou o show. Mas no meio de tanta barulheira e histeria, Ferrell dedicou um tempo para demonstrar um lado mais serio, que lhe rendeu algumas indicações e fortemente cotado a um Oscar.
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Ferrell interpreta Harold Crick. Um agente fiscal que tem uma vida extremamente regrada e monótona. Quando começa a ouvir vozes. E aos poucos, descobrimos que as vozes na verdade, saem de uma narradora e que Crick é o personagem principal. A virada se dá quando Crick se apaixona e pouco depois a voz lhe diz que sua morte é iminente. O personagem parte em uma viagem de auto-conhecimento e procurar aproveitar a vida antes que seu tempo acabe.
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Este filme é a típica pérola que você pode encontrar em meio a tanto barulho que os grandes filmes produzem. Atuações brilhantes, que incluem Dustin Hoffman, como um professor de literatura, Emma Thompson como a escritora (e dona da voz misteriosa) e até Queen Latifah, são conduzidas por um roteiro bizarro e surpreendente e por um diretor seguro. Os efeitos especiais (sem palavras para descrevê-los) são sutis e essenciais para que possamos entender o mundo de Harold. Uma pedida um pouco mais "cult", para um dia em que estiver a fim de menos barulheira e mais cinema. Imperdível.
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(Nota 9,0)
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Trailer: